A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) investiga se a substância escura encontrada pelo agricultor Sidrônio Moreira, no interior do Ceará, é de fato petróleo. O material foi encontrado enquanto o homem tentava perfurar um poço de cerca de 40 metros, em busca de água. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) também avalia o caso.
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A ANP foi comunicada pelo IFCE para investigar a ocorrência. Em nota ao GCMAIS, a Agência informa que está abrindo processo administrativo para tratamento do caso e que vai notificar o órgão de meio ambiente competente para as providências cabíveis. “Destacamos que a área em questão não se sobrepõe a nenhum bloco exploratório ou campo de produção concedidos pela ANP”, pontua ainda.
ANP destaca que petróleo encontrado no subsolo do Ceará seria de propriedade da União
No comunicado, a ANP também lembra que, no Brasil, o subsolo é de propriedade da União, assim como os recursos minerais encontrados nele. No caso do petróleo e gás natural, a exploração e produção podem ser feitas por empresas por meio de licitação pública – as chamadas rodadas de licitações, realizadas pela ANP –, sob os regimes de concessão ou partilha da produção.
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O suposto achado de petróleo aconteceu em Tabuleiro do Norte, no Baixo Vale do Jaguaribe, na comunidade rural do Sítio Santo Estevão. Amostras do material foram encaminhadas para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), no Rio Grande do Norte, onde testes físico-químicos indicaram que a substância possui características semelhantes a hidrocarbonetos e ao petróleo da Bacia Potiguar, região conhecida por reservas de petróleo.
O fato chamou a atenção da comunidade, já que a propriedade fica fora dos blocos oficialmente mapeados para exploração pela ANP. Isso significa que, mesmo se confirmada a presença de óleo, ainda há um longo processo regulatório e técnico para saber se existe uma jazida econômica e qual seria seu potencial real.
Achado da substância que pode ser petróleo, no interior do Ceará
Em novembro de 2024, Sidrônio decidiu juntar economias para resolver a questão da falta de água no local onde mora com a esposa e mais dois filhos. “Quando eu cheguei aqui, sem água, eu disse: ‘Vou furar um poço’. Chamei minha esposa, fizemos um empréstimo do nosso dinheiro, da aposentadoria, e furei esse poço. Só que não deu água, deu foi esse material”, conta, ao falar com a equipe do IFCE.
O material ao qual seu Sidrônio se refere é um líquido viscoso, preto, denso e que, pelo cheiro, lembra o odor característico de óleo automotivo. Decepcionado com o resultado, o poço foi isolado e uma nova tentativa de perfuração foi feita do outro lado do quintal, a cerca de 50 metros de distância do primeiro. A esperança renovada de encontrar água foi novamente frustrada.
A história de um poço artesiano com material parecido com petróleo chegou ao conhecimento do engenheiro químico do campus Tabuleiro do Norte, Adriano Lima. A primeira reação foi de dúvida. No entanto, quando uma amostra chegou à instituição, a investigação tomou um novo rumo.
“Ano passado, a gente recebeu essa notificação por meio do proprietário da terra. Ele nos procurou, a princípio informando que tinha achado um material viscoso, escuro, e queria ajuda do IFCE por não saber o que fazer com esse achado. A priori, ele trouxe algumas fotos e a gente observou esse material. Eu achei estranho, porque o relato dele é que, num processo de escavação artesanal de um poço, por volta de 30 metros, ele já se deparou com esse achado. Eu achei realmente uma profundidade muito rasa para ter um achado dessa natureza. Pedi para ele recolher um pouco desse material e trazer para tentarmos proceder com algum tipo de análise, com base na nossa estrutura”, explica Adriano.
Petróleo encontrado no Ceará e analisado pela ANP pode ser novidade para a região de Tabuleiro do Norte
Tabuleiro do Norte é conhecida nacionalmente como a Terra dos Caminhoneiros, mas nunca se teve notícia de poço de petróleo na região. Apesar disso, a poucos quilômetros dali, do outro lado da divisa, a cidade de Mossoró (RN) ganhou notoriedade pela ocorrência de poços em terra, cuja extração é conhecida como onshore. Foi para Mossoró que a amostra de seu Sidrônio foi enviada.
“Nós recorremos a um parceiro institucional, no caso o Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa), com o apoio dos professores Frederico Ribeiro e Daniel Valadão. Conseguimos fazer algumas análises físico-químicas, especialmente densidade, viscosidade, cor e o cheiro característico. De posse desses resultados, conseguimos perceber que realmente se tratava de uma mistura de hidrocarbonetos muito característica, com propriedades muito similares ao petróleo da região onshore da Bacia Potiguar”, informou Adriano.
Com informações da Agência IFC
Confira na íntegra a nota da ANP:
A ANP foi comunicada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) da “ocorrência de um possível indício de petróleo bruto em uma propriedade rural localizada no município de Tabuleiro do Norte/CE, durante atividade de perfuração de poço para captação de água”, e está abrindo processo administrativo para tratamento do caso. Adicionalmente, a ANP notificará o órgão de meio ambiente competente para as providências cabíveis. Destacamos que a área em questão não se sobrepõe a nenhum bloco exploratório ou campo de produção concedidos pela ANP.
No Brasil, o subsolo é propriedade da União, assim como os recursos minerais nele presentes. No caso do petróleo e gás natural, a exploração e produção (E&P) podem ser feitas por empresas através de licitação pública – as chamadas rodadas de licitações, realizadas pela ANP –, sob os regimes de concessão ou partilha da produção (para áreas localizadas no pré-sal ou consideradas estratégicas pelo Conselho Nacional de Política Energética – CNPE).
Caso alguém acredite ter encontrado petróleo em sua propriedade, recomenda-se as seguintes ações:
- Não realizar qualquer atividade adicional na área: A exploração e produção de petróleo é atividade exclusiva de empresas que firmaram contratos de E&P autorizadas pela ANP, conforme a Lei nº 9.478/1997.
- Informar à ANP: o agente deve entrar em contato com a ANP para relatar a suposta ocorrência descoberta. A Agência avaliará a situação e orientará sobre os procedimentos legais e técnicos a serem seguidos.
- Informar o órgão de meio ambiente competente.
Os canais oficiais da Agência são o telefone 0800 970 0267 e o Fale Conosco.
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Fonte: gcmais.com.br











