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Possível petróleo encontrado em poço no Ceará não poderá ser explorado pela família

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Possível petróleo encontrado em poço no Ceará não poderá ser explorado pela família

Caso seja confirmado que o líquido escuro encontrado em um poço na zona rural de Tabuleiro do Norte seja petróleo, a família responsável pela descoberta não poderá explorar comercialmente o recurso. No Brasil, as riquezas do subsolo pertencem à União e a exploração depende de autorização do governo federal. Mesmo assim, há possibilidade de compensações financeiras, como indenizações, arrendamentos e pagamento de royalties, que podem variar entre 0,5% e 1% do valor da produção.

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A descoberta ocorreu na propriedade do agricultor Sidrônio Moreira, localizada no semiárido cearense, a mais de 200 quilômetros de Fortaleza. A perfuração do poço tinha como objetivo encontrar água, escassa na região, mas a cerca de 30 metros de profundidade começou a jorrar um líquido escuro e viscoso. “Vim 30 metros. Começou a jogar essa água preta pra fora. Eu muito animado, batendo palma. Tem água aqui, graças a Deus. Aí logo, logo, acabou a festa”, relatou o agricultor.

Segundo Sidrônio, a escavação continuou até cerca de 44 metros de profundidade, quando surgiram novos sinais do material. “Furando, furando, furando… aí começou a dar no Agila. Quando chegou em 44 metros, deu no Agila amarela. Aí eu só disse: não, pode parar por aqui, que não tem mais fumaça não, que acabou a brincadeira aqui”, contou. Em um segundo poço perfurado na propriedade, o mesmo líquido voltou a aparecer a cerca de 25 metros de profundidade.

Amostra foi coletada para análise

Uma amostra do material foi enviada para análise no Departamento de Engenharia Química do Instituto Federal do Ceará e segue sendo avaliada por outras instituições. De acordo com o engenheiro químico Adriano Lima, os primeiros resultados indicam semelhança com óleos característicos da região. “Todas essas análises desse material a gente conseguiu encontrar resultados bem semelhantes a óleos característicos da nossa região, o que nos chamou muita atenção”, explicou.

O especialista também alertou sobre o risco ambiental caso o poço seja manipulado de forma inadequada. “A primeira coisa que eu falei para a família foi: não mexe no poço. Deixa o poço quieto, porque vocês estão atrás de água. A água já é um elemento escasso na nossa região e qualquer intervenção mal procedida pode contaminar o lençol freático”, disse.

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A área onde os poços foram perfurados está localizada em uma bacia sedimentar onde já existem reservas de petróleo mapeadas e até leiloadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O órgão informou que abriu um processo de investigação e que uma equipe técnica deverá visitar o local para avaliar o material encontrado, embora ainda não haja data definida para a vistoria. Enquanto isso, o agricultor reforça que sua principal preocupação continua sendo a falta de água. “Aqui o que eu era muito preocupado era para arrumar água. Eu nunca me lembrei de petróleo… nós aqui atrás era água.”

Petróleo foi encontrado no Baixo Vale do Jaguaribe

O suposto achado de petróleo aconteceu em Tabuleiro do Norte, no Baixo Vale do Jaguaribe, na comunidade rural do Sítio Santo Estevão. O material foi encontrado enquanto o homem tentava perfurar um poço de cerca de 40 metros, em busca de água.

Amostras do material foram encaminhadas para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), no Rio Grande do Norte, onde testes físico-químicos indicaram que a substância possui características semelhantes a hidrocarbonetos e ao petróleo da Bacia Potiguar, região conhecida por reservas de petróleo.

O fato chamou a atenção da comunidade, já que a propriedade fica fora dos blocos oficialmente mapeados para exploração pela ANP. Isso significa que, mesmo se confirmada a presença de óleo, ainda há um longo processo regulatório e técnico para saber se existe uma jazida econômica e qual seria seu potencial real.

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Fonte: gcmais.com.br