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Atração por produtos similares com preços mais baixos esconde riscos à saúde dos consumidores

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Atração por produtos similares com preços mais baixos esconde riscos à saúde dos consumidores

A popularização dos produtos alimentícios similares, conhecidos como “alimentos fakes”, tem gerado crescente preocupação entre especialistas e entidades de defesa dos consumidores. Esses produtos, que se assemelham aos originais, atraem consumidores, principalmente devido aos preços mais baixos, mas escondem riscos para a saúde, que nem sempre são evidentes nas embalagens.

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Na opinião de Cláudia Santos, representante da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB, os produtos semelhantes aos originais são um problema para os direitos do consumidor, especialmente por conta da falta de informações claras nas embalagens. “É uma prática abusiva, contra os dispositivos do Código de Defesa do Consumidor, direito à informação, bem como direito à proteção contra a propaganda enganosa”, alerta Cláudia. A advogada aponta que muitos consumidores acabam sendo enganados devido à falta de acesso a informações claras sobre o que realmente estão comprando.

Porém, a falta de leitura das informações nos rótulos é uma realidade comum entre os consumidores. Em uma pequena pesquisa realizada com a população, é possível perceber que muitos priorizam o preço e não se atêm às informações nutricionais. “Não, leio não”, responde um consumidor, ressaltando que a principal motivação para a compra é o preço acessível. Outro revela: “Só vejo o preço e já conheço o produto, né? Não compro um produto que não me interessa, só compro o que me interessa”. O preço, segundo ele, também “pega um pouquinho” quando o produto está mais barato.

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A situação preocupa nutricionistas e especialistas da área. Eliakim Mendes, do Conselho Regional de Nutrição, destaca os malefícios desses produtos ultraprocessados para a saúde, principalmente entre crianças e idosos. “São produtos mais açucarados, que podem aumentar o risco do diabetes, são produtos com mais sódio, porque o intuito é aumentar o tempo de prateleira. Portanto, mais sódio, aumentando o risco de hipertensão”, explica Eliakim. Ele também alerta sobre o impacto desses alimentos na saúde a longo prazo: “São produtos altamente calóricos. Por serem ultraprocessados, aumentam consideravelmente o risco de câncer”.

Atração por produtos similares com preços mais baixos escondem riscos à saúde dos consumidores

O risco de consumir esses produtos não é apenas teórico. Eliakim cita o uso de aditivos como o nitrito e nitrato, que são conhecidos por suas propriedades carcinogênicas. “São alimentos altamente cancerígenos”, afirma ele, deixando claro que, apesar do apelo do preço, os riscos para a saúde são significativos e podem afetar a qualidade de vida no futuro.

Diante desse cenário, o vereador Ronaldo Martins tomou a iniciativa de realizar uma audiência pública para discutir o projeto de lei que visa exigir a informação clara e objetiva sobre esses produtos nos supermercados da cidade. “O nosso intuito, tanto nessa audiência de hoje como no nosso projeto de lei, é alertarmos a população quanto a esses alimentos assemelhados”, explica Ronaldo Martins. Ele enfatiza que, muitas vezes, a escolha por esses produtos ocorre devido ao aumento dos preços dos alimentos tradicionais e pela falta de conhecimento sobre o que realmente está sendo comprado. “Nós estamos aqui, no nosso projeto de lei, obrigando os estabelecimentos a prestar a informação adequada, clara ao consumidor em relação a esses produtos assemelhados”, acrescenta o vereador.

As autoridades incentivam os consumidores a denunciar esses casos ao PROCON. “O consumidor não sabe, ele não tem a obrigação de saber. A obrigação vem através do fornecedor. O fornecedor tem a obrigação, pelo artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor, de informar o consumidor sobre qualidade, quantidade e preço”, afirma Cláudia Santos. A fiscalização dos supermercados e das empresas que vendem esses produtos é essencial para garantir que o consumidor não seja lesado.

Enquanto isso, Shandra Carmen, presidente da Abraecci, ressalta a necessidade de uma mudança cultural e educativa entre os consumidores. “É importante que as pessoas se conscientizem sobre o impacto das escolhas alimentares e saibam que, ao escolher o mais barato, podem estar colocando a saúde em risco”, conclui Shandra. A orientação correta e a educação sobre como identificar alimentos ultraprocessados continuam sendo passos essenciais para mitigar os efeitos negativos dessa prática no mercado alimentar.

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Fonte: gcmais.com.br