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Bairro José Walter se reinventou e consolidou identidade com o passar dos anos, em Fortaleza

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Bairro José Walter se reinventou e consolidou identidade com o passar dos anos, em Fortaleza

O bairro Prefeito José Walter, com histórias que atravessam gerações, conseguiu se consolidar ao longo dos anos como uma das regiões mais marcantes de Fortaleza. Isso, no entanto, aconteceu ao passo de diversas mudanças na dinâmica da região, com a chegada de serviços e transformações de ordem social.

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Localizado na região sul da capital cearense, o bairro nem sempre teve esse nome. Na década de 1960, era chamado de Unidade de Integração Habitacional do Mundubim. Com o passar dos anos, a paisagem e o cotidiano mudaram, e o local se transformou em um dos bairros mais populosos e populares da cidade.

Segundo o historiador e professor Waldejares Oliveira, o crescimento foi significativo ao longo das décadas. “José Walter hoje é um conjunto habitacional, é um bairro onde há 5.500 casas. Então é uma população significativa. Por conta desse crescimento econômico, o bairro hoje tem um comércio muito desenvolvido. Existem hoje bairros satelitistas que fazem parte do que a gente pode chamar de Grande José Walter. Isso ganhou muita força de uns 10 anos pra cá, quando o Governo Federal criou o Conjunto Cidade-Jardim, que é do lado do Conjunto José Walter e que trouxe uma população muito grande pra cá.”

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Transformações sociais mudaram a dinâmica do bairro José Walter

No início, a realidade era desafiadora. Muitos moradores acabaram desistindo diante das dificuldades. Foi a partir dos anos 1980, com a chegada da água, da energia elétrica e dos serviços públicos, que o bairro começou a ganhar uma nova configuração. Hoje, o José Walter conta com comércio diversificado, escolas, hospitais, praças, grupos juninos, terminal de ônibus, ciclovias e um mercado imobiliário em expansão. A população já ultrapassa os 50 mil moradores.

Aposentada, Aldizia da Silva é uma das moradoras que adotaram o bairro como lar. Há 13 anos na região, ela destaca a estrutura disponível. “Eu gosto daqui, já faz 13 anos que eu moro e não tenho o que dizer nada do bairro. Nós temos todo o comércio aqui dentro do José Walter, tem banco, tem Cagece, tem tudo. E é muito bom, e todos os mercantis agora iam abrindo, chegou outro… Quanto mais, melhor.”

As manhãs na pracinha do bairro reúnem vizinhos antigos e novos. Entre caminhadas e conversas, histórias se cruzam. Dona Joana Paiva, moradora desde os 17 anos, viu o bairro crescer junto com a própria família. “Quando eu cheguei aqui com 17 anos, aqui não tinha isso tudo, assim, como é aqui. Tudo era areia. Ali era uma coisa profunda, não tinha jogos, os meninos brincavam na areia, naquele buracozinho grande. Não tinha a pracinha não, tinha só os bichinhos brincando, entendeu?”

Bairro dos cornos?

Além das transformações urbanas e sociais, o José Walter também carrega um apelido curioso que faz parte da cultura local, sendo o famoso “bairro dos cornos”. A alcunha, levada na esportiva pelos moradores, virou motivo de piada e acaba contribuindo também para formar uma identidade coletiva.

O aposentado Maurício Sousa comenta a história com bom humor. “E olha, tem uma história que circula aqui pelo bairro, que é: em cada casa que tem uma calçada, que tem um jambo, tem um corno. Eu levo na esportiva. E assim acaba sendo uma lorota, né? Acaba sendo uma lorota.”

Histórias diferentes ajudam a explicar a alcunha do bairro José Walter

O historiador Waldejares Oliveira explica as versões que ajudaram a consolidar a fama:

“Historicamente falando, quando o conjunto foi inaugurado, há mais de 50 anos, ele era distante do centro transporte urbano muito difícil. Então, o que acontecia? Um cidadão que trabalhava no comércio, ele tinha que sair de casa muito cedo. e chegava em casa muito tarde. Então a mulher passava muito tempo só em casa. Essa é uma versão, digamos, mais pintoresca da coisa. Outra, mais pro lado cômico, é que quando o conjunto foi inaugurado, ele tinha uma novidade que não acontecia em nenhum lugar da cidade. Por ser um bairro planejado, as casas eram iguais. As fachadas eram iguais. Então, quem chegava em casa de noite, tarde, do trabalho, às vezes não conseguia identificar a casa em que estava entrando e pensava que era a sua, acabava sendo a casa de um vizinho. E a partir daí vem a história de que ele vai dormir com a mulher do vizinho. Essa versão não é muito sólida porque a própria mulher vai dizer: peraí, você não é meu marido. Bem, será que ela iria dizer ou não? Mas o fato é: essa alcunha ganha uma notoriedade tão grande que a população do Zé Walter gosta disso. Ela se identifica com esse fato e cria em cima disso os seus caos, as suas lendas urbanas, as suas histórias, né?”

Entre memórias de um passado de ruas de areia e a consolidação como um dos bairros mais estruturados da região Sul, o José Walter mostra que soube se reinventar. Com forte identidade e senso de comunidade, o bairro segue escrevendo sua própria história em Fortaleza.

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Fonte: gcmais.com.br