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Busca por transplante é cansativa, mas repleta de esperança e fé na solidariedade

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Busca por transplante é cansativa, mas repleta de esperança e fé na solidariedade

A busca por um transplante é marcada por uma rotina exaustiva, mas também por esperança, fé e solidariedade. Para milhares de pacientes renais no Ceará e em todo o Brasil, a hemodiálise representa a continuidade da vida enquanto a tão aguardada chance de um novo órgão não chega. É uma caminhada longa, cansativa e, muitas vezes, dolorosa, vivida diariamente por pessoas que dependem do tratamento para sobreviver. Esse é o tema da segunda reportagem da série “Entre Vidas e Filas”, exibida no Jornal da Cidade, da TV Cidade de Fortaleza.

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Silvana Alves, dona de casa, começou a enfrentar problemas renais ainda jovem, aos 22 anos, e hoje voltou à rotina da diálise. “Então eu já estou na luta, na correria, né? De hemodiálise, de fazer exame. Então fica muito cansativo. Amanhã, por exemplo, eu tenho um exame que tem que passar o dia todinho”, relata. Como ela, dezenas de pacientes enfrentam sessões longas e frequentes, que exigem disciplina e resistência física e emocional.

O setor de hemodiálise é coordenado por Juliana Valéria, chefe da unidade, que explica a dimensão do atendimento. Atualmente, 65 pacientes dependem do serviço para viver. “Na grande maioria das vezes, ela se realiza através de três sessões semanais. As sessões de diálise têm uma duração em torno de quatro horas”, detalha. Segundo ela, apesar de ser uma rotina desgastante, o tratamento é essencial. “A terapia dialítica representa uma continuidade, a manutenção da vida deles junto dos seus familiares, até a possibilidade do transplante.”

A história de Regina Ripardo, vice-presidente da Asprece, é um exemplo de superação. Ela convive com problemas renais desde a infância, passou por um transplante e conseguiu viver muitos anos com qualidade. Agora, aguarda um retransplante. “É uma oportunidade, né? Porque a hemodiálise, apesar de nos dar condição de permanecer vivos para esperar essa oportunidade chegar, ela também tira muito da nossa autonomia. A gente não perde totalmente a liberdade, mas perde muita coisa”, afirma. Mesmo assim, a esperança permanece. “Eu espero que esse segundo transplante dê certo, que eu consiga ficar muito tempo com ele. O que eu fiz no passado durou quase 13 anos, então minha expectativa é que seja mais longo.”

Balanço da fila de espera no Ceará

No Ceará, cerca de 6 mil pessoas fazem diálise atualmente, e aproximadamente mil pacientes aguardam por um transplante no início de 2026. A fila é dinâmica e muda diariamente. Regina Garcia, vice-presidente da Fundação do Rim, destaca a importância do acolhimento. “A vida de um paciente renal não é fácil. A gente espera mais sensibilidade, mais humanização. São seres humanos.” Ela ressalta ainda que o acompanhamento adequado ajuda a enfrentar a espera, que pode ser longa e emocionalmente desgastante.

Quando o transplante finalmente acontece, o sentimento é de vitória coletiva. “A gente vê a realização de um sonho. Quando há êxito, realmente é um momento de celebração”, afirma Juliana. Ela lembra que, em meio à dor da perda de uma família doadora, nasce a esperança para várias outras pessoas. Dados nacionais mostram que, até setembro de 2026, mais de 70 mil pessoas aguardavam um órgão ou tecido no Brasil. O país registra cerca de 20 doadores por milhão de habitantes, enquanto o Ceará apresenta média superior, com 26 doadores por milhão.

O estado também celebra avanços em outras áreas. No Hospital Universitário Walter Cantídio, foi alcançado o marco do milésimo transplante de medula óssea, realizado pelo SUS desde 2008, com índice de sobrevida superior a 95%. Para o chefe da Hematologia do HUWC, Fernando Barroso, o cuidado vai além do procedimento. “A reinserção dos aspectos da saúde mental desse indivíduo é fundamental. O transplante precisa ser trabalhado no pré, no inter e no pós-transplante. Ele foi uma grande virada de chave da medicina e continuará sendo uma terapêutica necessária por muitos anos.”

A força da doação também ganha voz em histórias como a de André Torres, influenciador digital e transplantado de medula desde 2019. Curado da leucemia graças a um doador anônimo, ele resume o poder da solidariedade. “Essa cura só aconteceu por conta do ato de generosidade de alguém que nem me conhecia. Ela soube que existia um paciente geneticamente compatível e decidiu seguir com o processo de doação. Doou sua medula e salvou minha vida.” Histórias como essa reforçam que, mesmo em meio ao cansaço e à espera, a esperança segue viva.

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Fonte: gcmais.com.br