O patrimônio paleontológico da Bacia do Araripe ganhou um reforço histórico nesta quarta-feira (25). O Ceará recebeu lotes de fósseis que haviam sido retirados ilegalmente do país e estavam na Suíça, Itália e Argentina. A repatriação representa um avanço significativo na preservação da memória científica brasileira e na valorização de um dos mais importantes sítios fossilíferos do mundo.
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Uma das cerimônias ocorreu em Berna, onde o Escritório Federal de Cultura oficializou a doação voluntária de um acervo que estava no Museu de Paleontologia da Universidade de Zurique. O material, composto por oito caixas que somam cerca de 150 quilos, inclui fósseis de peixes e répteis datados de até 120 milhões de anos.
Os fósseis devem ficar sob a guarda do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado em Santana do Cariri. O professor Allysson Pontes Pinheiro, diretor da instituição, colaborou com todo o processo de repatriamento e foi o responsável pelo recebimento do material.
Segundo Allysson Pinheiro, o conjunto devolvido é considerado raro, especialmente pelos exemplares de peixes e répteis em excelente estado de preservação. Ele destacou que a devolução foi possível graças à articulação institucional e a um projeto da UNESCO, que utiliza o patrimônio fossilífero como ferramenta de desenvolvimento regional e melhoria da qualidade de vida da população do território.
Além da devolução formalizada na Suíça, o Brasil também recebe nesta quarta-feira, em cerimônia no Ministério das Relações Exteriores, outros dois conjuntos de fósseis que já estão no país. As peças, vindas da Argentina e da Itália, serão entregues ao museu cearense e à Universidade Regional do Cariri (URCA).
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Microfósseis da Argentina
Um dos destaques da repatriação é o lote proveniente da Argentina. Pela primeira vez, o Brasil recebe de volta microfósseis — organismos minúsculos que exigem equipamentos especializados para análise. Esses materiais têm grande relevância científica, inclusive na prospecção de petróleo, pois funcionam como marcadores geológicos que indicam a presença potencial de reservas.
Da Itália, foi devolvido um peixe fossilizado em ótimo estado de conservação, apreendido pela polícia italiana durante uma feira. De acordo com Allysson Pinheiro, as peças repatriadas variam entre 90 e 120 milhões de anos, havendo também exemplares ainda mais antigos, o que amplia significativamente as possibilidades de pesquisa científica.
As restituições fortalecem o Geoparque Araripe e ampliam o acervo disponível para estudos acadêmicos. O coordenador do laboratório de paleontologia da URCA, Álamo Saraiva, afirma que materiais devolvidos recentemente da França já renderam descobertas importantes, incluindo uma nova espécie de pterossauro que ainda está em processo de identificação.
Segundo Álamo, a devolução dos fósseis contribui diretamente para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação, além de possibilitar o estudo in loco de espécies que foram encontradas originalmente na própria Bacia do Araripe. Para a comunidade científica, o retorno dessas peças representa um ganho expressivo de conhecimento e autonomia na pesquisa paleontológica.
A recuperação desses tesouros é resultado do trabalho conjunto de diversas instituições. O procurador da República no Ceará, Rafael Rayol, informou que o Ministério Público Federal (MPF) está à frente de 34 pedidos de cooperação internacional para repatriar fósseis retirados ilegalmente do Brasil. Atualmente, Estados Unidos e Alemanha concentram o maior número de solicitações ainda não atendidas, evidenciando que, apesar das vitórias recentes, o processo de recuperação do patrimônio científico brasileiro ainda enfrenta desafios no cenário internacional.
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Fonte: gcmais.com.br











