O Ceará registrou 1.927 vítimas de violência sexual em 2025, o que representa uma média de cinco casos por dia no estado. Do total de ocorrências, 1.435 vítimas eram menores de 18 anos, o equivalente a cerca de 74% dos registros. O dado mais alarmante aponta que crianças de até 11 anos concentram 41,93% dos casos, incluindo bebês com menos de um ano de idade. Os crimes envolvem estupro, estupro de vulnerável e exploração sexual de crianças e adolescentes, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social.
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Na maioria das situações, a violência ocorre dentro do próprio ambiente doméstico, e o agressor costuma ser alguém próximo da vítima, como familiares ou pessoas de confiança. A advogada criminalista Ana Paula Rocha destaca a importância da orientação das crianças por parte das famílias.
“É preciso explicar quais partes do corpo não podem ser tocadas, porque a criança, até os 14 anos, ainda está em formação psíquica e motora e muitas vezes não consegue discernir se aquele ato é um carinho ou uma violência que visa satisfazer a lascívia do agressor”, explicou.
Mesmo com leis mais rigorosas, os crimes continuam acontecendo. Segundo a advogada, a pena para estupro de vulnerável pode chegar a 24 anos de prisão quando há lesão corporal grave e até 40 anos quando o crime resulta em morte. Ela ressalta que a legislação foi endurecida nos últimos anos justamente em resposta ao aumento dos casos. Ainda assim, os dados oficiais apontam que 86% das vítimas de crimes sexuais no Ceará são mulheres e que, em relação a 2024, houve uma redução de 5,7% nos registros.
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Especialistas alertam, no entanto, que os números podem ser ainda maiores, já que muitos casos não são denunciados por medo, dependência financeira do agressor e desgaste emocional das vítimas. Para a coordenadora da Rede Aquarela/Funci, Victória Brasileiro, o enfrentamento à violência sexual vai além da punição.
“Aqui dentro da Rede Aquarela, fazemos todo o acolhimento com uma equipe especializada formada por psicólogos, assistentes sociais e analistas jurídicos, oferecendo atendimento semanal à vítima e orientação à família”, afirmou. A rede também reforça que qualquer suspeita de abuso deve ser denunciada por meio dos canais oficiais, como o Disque 100 e os conselhos tutelares, garantindo proteção e acompanhamento às vítimas.
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Fonte: gcmais.com.br











