Começou nesta semana, em Fortaleza, o quarto julgamento de policiais militares acusados de participação na Chacina do Curió, ocorrida na madrugada de 11 para 12 de novembro de 2015, na Grande Messejana. O caso, que completa 10 anos em 2025, deixou 11 mortos, três vítimas de tentativa de homicídio e quatro pessoas torturadas. Nesta nova fase, sete PMs estão sendo julgados por omissão, acusados de não impedirem os crimes mesmo estando de serviço na área.
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Do lado de fora do fórum, o clima é de dor e resistência. Mães, esposas e familiares das vítimas acompanham os desdobramentos do processo com cartazes nas mãos, vozes embargadas e um apelo uníssono: justiça. Edna Carla, mãe de Alef Sousa, relembrou com sofrimento o que viveu:
“O meu filho vinha dentro do ônibus. Eles pararam o ônibus para descer o meu filho. Isso é cruel para a gente, mãe, lutando há 10 anos por justiça. E nós só queremos justiça.”
Maria de Jesus, mãe de Renayson Girão, também desabafou: “Cada dia que passa, isso fica um pouco mais difícil. Mas nós não perdemos as esperanças. A esperança da gente é 24 horas, né? Isso nos estimula mais a procurar justiça.”
Já Maria Suderli, mãe de Jardel Lima, acrescentou: “O Estado nos deixou sem os nossos familiares e também nos adoeceu. Mas estamos com a esperança e com a justiça por nós, pela nossa periferia, pela minha filha, que tinha 9 anos. Hoje ela é uma jovem adulta, uma menina empoderada que luta também para sobreviver todos os dias.”
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Desde 2015, o Ministério Público denunciou 45 pessoas. Com os recursos e desmembramentos dos processos, 30 réus seguem ativos nos autos, sendo julgados em etapas. Desde 2023, 20 acusados já passaram por júri. Esta é a penúltima etapa, e o último julgamento está previsto para o mês seguinte, encerrando a fase judicial no Tribunal do Júri.
Ana Lúcia, esposa de Gilvan Barbosa, uma das vítimas, expressou sua esperança de reparação: “É um júri. A gente espera que o júri do Curió dê uma resposta à violência policial, à não repetição de casos como esse, e à violência contra a juventude negra e da periferia.”
A defensora-geral do Estado, Sâmia Farias, também destacou a importância do momento:“É um julgamento demorado, mas a nossa expectativa é que o resultado seja favorável à sociedade. Que a gente tenha a responsabilização das pessoas envolvidas nessa chacina, que foi algo tão impactante para a nossa sociedade.”
Do ponto de vista institucional, o procurador-geral de Justiça, Haley Carvalho, reforçou o papel do Judiciário e do Ministério Público nesse processo. A coordenadora de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Ceará, Naira Filgueira, e a coordenadora do Cedeca/CE, Marina Araújo, também acompanharam o julgamento, reforçando o papel da sociedade civil na fiscalização e na garantia da justiça.
O júri atual deve durar cerca de 10 dias, e embora o tempo tenha passado, a dor das famílias permanece viva. Em cada depoimento, cartaz e grito do lado de fora do tribunal, a mensagem é clara: que a justiça finalmente responda à dor de quem perdeu tanto.
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Fonte: gcmais.com.br










