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Trabalhadores do Anel Viário só permitem nova empresa iniciar após receber salários

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Trabalhadores do Anel Viário só permitem nova empresa iniciar após receber salários

O impasse na obra do Anel Viário, em Maracanaú, que já se arrasta há 16 anos, voltou a gerar transtornos nesta segunda-feira (5), quando operários da antiga construtora realizaram um protesto no local. Segundo os trabalhadores, os salários estão atrasados há pelo menos dois meses, e eles só permitirão que a nova empresa assuma os trabalhos quando os pagamentos forem regularizados. Para impedir o acesso da nova empresa, caminhões foram colocados atravessados no canteiro, bloqueando a obra.

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“Enquanto nós não recebermos o nosso direito, nós não vamos aceitar que vá iniciar as obras”, afirmou um dos trabalhadores presentes, reforçando a reivindicação dos colegas. Os operários alertam que a situação compromete não só a conclusão da obra, mas também a sobrevivência de muitas famílias que dependem do pagamento em dia.

O Anel Viário, cujo início da duplicação ocorreu em 2010, deveria ter sido concluído em 2012. No entanto, ao longo dos anos, o projeto acumula atrasos, paralisações e mudanças de cronograma. Em agosto de 2024, o governo do Estado autorizou a retomada das obras com um aporte federal de cerca de R$ 97 milhões, prevendo a conclusão entre o final de 2025 e o início de 2026. Apesar de alguns trechos já estarem liberados, ainda faltam retornos, acostamentos, sinalização, ciclovias e iluminação.

Motoristas e caminhoneiros que passam pelo trecho do Conjunto Industrial relatam dificuldades diárias. “Muito complicado. Daqui para a BR-116, dependendo do horário de pico, você consegue passar uma hora e meia parado na pista”, disse o caminhoneiro Erasmo Moreira. Outro caminhoneiro, José Filgueiras, resumiu o sentimento de muitos: “É uma humilhação muito grande. Eu só entro no Anel Viário quando sou obrigado.”

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Em entrevista à rádio Jovem Pan News Fortaleza no mês passado, o governador Elmano de Freitas comentou sobre a possível entrada de uma nova empresa na obra. “Não tem atraso de pagamento da empresa. Nós temos uma regra de contrato com a empresa que ela vai fazendo a obra e, no máximo, em 60 dias ela é paga pelo que fez. Ela está absolutamente em dia. O problema é que não cumpriu o cronograma”, explicou.

Segundo o governador, o governo está exigindo mudanças no consórcio responsável pela obra: “Estamos dizendo que ou eles mudam e trazem uma empresa com capacidade de concluir a obra ou vamos romper o contrato.” A Superintendência de Obras Públicas do Ceará (SOP/CE) esclareceu que, atualmente, a obra está em andamento com a restauração das pistas, execução de retornos e implantação de ciclovias. No entanto, falhas do consórcio anterior motivaram a necessidade de reforço para garantir a conclusão completa do projeto.

Enquanto a situação não se resolve, o Anel Viário segue sendo palco de acidentes graves. Em novembro, um motociclista e o passageiro morreram após colisão no quilômetro 25, e em setembro um caminhão betoneira tombou no trecho de Maracanaú. Os motoristas e motociclistas que dependem da rodovia continuam cobrando soluções. Como afirmou o caminhoneiro Arison Eduardo, “a gente fica a ver navio aqui, sem solução. Não tem como você nem se sair.”

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Fonte: gcmais.com.br