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Entregador agredido em condomínio de Fortaleza segue sem trabalhar há três semanas; polícia investiga

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Entregador agredido em condomínio de Fortaleza segue sem trabalhar há três semanas; polícia investiga

A Polícia Civil do Ceará abriu inquérito para investigar a agressão sofrida pelo entregador Alex Costa Rodrigues, ocorrida na noite de 10 de agosto, em um condomínio no bairro Meireles, área nobre de Fortaleza. A violência, registrada por câmeras de segurança, chocou moradores e ganhou repercussão após a divulgação das imagens nas redes sociais.

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Alex, que trabalha como entregador por aplicativo, foi espancado por um morador após uma divergência na forma de pagamento de uma entrega. O caso aconteceu às 21h23, quando o trabalhador chegou de bicicleta à portaria do condomínio para entregar um pedido.

De acordo com os registros, Alex foi agredido com diversos socos, sem chance de defesa. Tentou fugir escalando a grade, mas voltou ao chão ao perceber que se aproximava de uma cerca eletrificada. No retorno, foi novamente atacado. A violência só cessou após a intervenção de uma moradora e de um pedestre, cerca de dois minutos depois. O morador agressor então recolheu a mercadoria e subiu as escadas do prédio.

Hoje, quase três semanas após o episódio, Alex ainda se recupera da cirurgia no crânio. Ele recebeu quatro placas de titânio e está impossibilitado de trabalhar.

“Quando eu assisti o vídeo, eu reparei que era muita pancada na cabeça. Teve dois momentos do vídeo que realmente eu perdi o sentido, porque nenhum deles eu recordei. Então, foi muito triste ter assistido o vídeo, porque foi muito além”, relatou.

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Mesmo ferido e visivelmente desorientado, Alex ainda foi alvo de insultos por parte do agressor, mesmo com a presença de uma viatura da Polícia Militar, que chegou minutos após o ataque. “Mesmo desacordado, ele continuava me espancando. E até agora eu nem sei por que eu tô vivo. Acho que foi por graça de Deus mesmo”, disse.

O entregador foi levado ao Instituto Doutor José Frota, onde permaneceu internado e passou por cirurgia. Durante esse período, recebeu apoio de colegas de profissão, que organizaram protestos e buzinaços em frente ao condomínio, além de atos de depredação no portão do prédio.

Processo corre nas esferas civil e criminal

O advogado de Alex, Celso Costa, informou que o agressor será responsabilizado nas esferas civil e criminal. Segundo ele, o caso pode ser enquadrado além de lesão corporal.

“O processo atualmente se encontra em fase de inquérito, ainda não foi concluído, e está pendente da oitiva de algumas testemunhas oculares, inclusive o próprio síndico do condomínio. Com relação ao processo civil, estávamos aguardando as imagens que foram disponibilizadas esta semana e amplamente divulgadas nas redes sociais. A gente entende que, pela gravidade e pelas circunstâncias, a lei pode configurar até uma tentativa de homicídio”, afirmou.

Recuperação difícil e sem familiares por perto

Natural do Maranhão, Alex vive há 10 anos em Fortaleza, onde mora sozinho. Sem parentes próximos, tem sobrevivido graças à ajuda de amigos e colegas de trabalho. O trauma, segundo ele, vai além das lesões físicas.

“Eu sinto que o olho continua inchado, o rosto rígido. E tem isso aí, tem a questão psicológica também. A questão psicológica tá pegando mais. Porque, tipo assim, eu tinha uma vida livre, uma vida feliz, que eu ia pra um lado e pro outro e não pensava em sofrer agressão. Hoje, como ele me agrediu com saúde e agora eu não posso carregar peso, não posso baixar a cabeça… então eu tenho uma vida muito limitada.”

Apesar das dificuldades, Alex não pensa em desistir da profissão. Para ele, entregar alimentos é mais que um trabalho: é uma missão.

“Você pega um alimento solicitado por um cliente em um restaurante, você entrega esse alimento pra aquela pessoa. Então, eu me vejo assim: eu tô levando saúde. Alimento é saúde, é energia, é vida. Eu vejo que é um emprego maravilhoso, porque é um negócio que eu faço bem pras pessoas. Eu não tô pagando pelo alimento delas, mas eu sou um canal de entrega. E essa ligação me dá prazer em fazer isso.”

A Polícia Civil segue com as investigações e ainda aguarda o depoimento de testemunhas-chave para concluir o inquérito.

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Fonte: gcmais.com.br