A espera por um leito de UTI terminou em tragédia para Edilson Monteiro da Costa, de 44 anos, que faleceu após quase uma semana de acompanhamento na UPA do bairro Edson Queiroz, em Fortaleza. Ele deu entrada na unidade com insuficiência cardíaca, mas a transferência solicitada pelo médico só ocorreu três dias depois. Hélia Gomes, irmã do paciente, relata os momentos de aflição da família: “Ele deu uma entrada aqui e ele está com insuficiência cardíaca e o caso dele só piora e a gente já não tem mais o que fazer. Hoje as amigas vieram visitar ele e não o acharam bem, ele está com os aparelhos de novo e a gente não tem mais para quem recorrer.”
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O pedido de transferência foi feito no dia 1º de fevereiro e confirmada apenas na noite do dia 4, quando Edilson foi encaminhado ao Hospital Leonardo da Vinci e colocado diretamente na UTI, mas não resistiu. A demora levanta questionamentos sobre a possibilidade de sobrevida do paciente: se a transferência tivesse ocorrido antes, ele poderia ter tido mais chances de se recuperar. O Ceará enfrenta alta demanda por leitos de alta complexidade e adota critérios rigorosos de prioridade, considerando urgência, idade e possibilidade de sobrevida. De acordo com dados do IntegraSUS, cerca de 64 mil pessoas aguardavam, em 5 de fevereiro de 2026, consultas e procedimentos diversos na central de regulação do Estado.
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A dificuldade de acesso aos leitos leva muitas famílias a recorrer à Justiça. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Estado registrou aproximadamente 15.500 ações relacionadas à saúde pública, incluindo pedidos de medicamentos, insumos, tratamentos e leitos. Segundo Ricardo Madeiro, presidente da Comissão de Saúde da OAB/CE, a Justiça garante o internamento, mas não cria leitos, e a demanda reprimida atinge tanto o sistema público quanto o privado.
“Na realidade, necessita-se da criação de mais leitos de forma mais descentralizada”, afirma. A UPA do Edson Queiroz, onde Edilson começou o atendimento, segue enfrentando problemas de superlotação: “Lotado, superlotado, muito lotado. Agora que está diminuindo mais um pouco, mas é aquela coisa, vai chegando, vai. Chegando, todo mundo precisa”, relatam funcionários e moradores.
O caso de Edilson evidencia um problema estrutural na saúde do Ceará: o aumento de leitos tem sido insuficiente para atender a crescente demanda. Diariamente, a central de regulação recebe cerca de 90 solicitações de leitos de UTI, e uma parte significativa recorre à judicialização, buscando garantir o direito constitucional à saúde. Especialistas alertam que, sem a expansão e descentralização dos leitos de alta complexidade, situações como a de Edilson podem continuar a ocorrer, trazendo sofrimento para famílias e pressionando ainda mais o sistema de saúde.
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Fonte: gcmais.com.br











